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Artigos LÍBANO: ISRAEL COMETE CRIMES DE GUERRA Jim Lobe Washington, 04/08/2006 – As forças de Israel cometem crimes de guerra no Líbano quando não distinguem em seus bombardeios combatentes do movimento islâmico xiita Hezbollah (Partido de Deus) e população civil, disse a organização Human Rights Watch (HRW). Em seu informe de 50 páginas “Golpes fatais: Os ataques contra civis no Líbano”, o grupo detalha cerca de 20 casos nos quais a ofensiva das forças de defesa israelenses mataram 153 civis, entre eles 63 crianças, que estavam em suas casas ou dentro de veículos. Os investigadores da Human Rights Watch não encontraram evidência, em nenhum dos casos, de que houvesse um objetivo militar justificado para realizar os ataques apesar dos riscos para a população civil. Em muitas ocasiões, nem mesmo havia um objetivo militar identificável, e em outros as forças israelenses pareceram atacar deliberadamente os civis, segundo o relatório, divulgado na quarta-feira. “Ao falar constantemente em distinguir entre combatentes e civis, Israel violou um dos princípios fundamentais das leis da guerra: o dever de realizar ataques somente contra objetivos militares”, diz o informe da Human Rights Watch. “O padrão dos ataques durante a ofensiva israelense no Líbano sugere que as falhas não podem ser explicadas ou desculpadas como meros acidentes. A extensão do padrão e a gravidade das conseqüências indicam que foram cometidos crimes de guerra”, conclui o documento. O relatório, baseado em entrevistas com vítimas e testemunhas independentes dos bombardeios, bem como em uma investigação nos locais atacados, faz um chamado aos Estados Unidos para que suspenda imediatamente a transferência de armas, munições e outros materiais bélicos. Além disso, exortou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, a criar uma comissão formal que investigue os crimes de guerra com a vontade de apontar os responsáveis. Essa comissão também deveria investigar o Hezbollah pelos mísseis lançados contra Israel, e que foram tema central de outros informes da HRW. Desde o começo do conflito no dia 12 passado, o Hezbollah lançou cerca de dois mil mísseis em áreas israelenses predominantemente civis, matando, pelo menos, 19 pessoas e ferindo outras 300. Devido à inerente natureza indiscriminada dos mísseis, estes ataques constituem também crimes de guerra, diz a Human Rights Watch, com sede em Nova York. O relatório, cujas conclusões coincidiram com uma declaração feita pela Anistia Internacional há alguns dias, foi divulgado depois que a HRW revelou os resultados preliminares de sua investigação sobre o bombardeio israelense do dia 30 de julho contra um edifício na cidade libanesa de Qana, quando morreram, pelo menos 54 civis, metade deles meninas e meninos. A HRW contou com testemunhos de alguns dos nove sobreviventes identificados da tragédia de Qana e disse que confirmou a morte de 28 pessoas, incluindo 16 crianças. Outras 13 continuam desaparecidas, embora se suspeite que seus corpos estejam enterrados sob os escombros do edifício. Outras 22 pessoas teriam sobrevivido e fugido do lugar. Um dos sobreviventes, Muhammad Mahmud Shalhub, morador em Qana e que ajudou no resgate, negou enfaticamente as acusações de Israel de que havia lança-mísseis do Hezbollah no edifício. A HRW concluiu em sua investigação, após entrevistar dezenas de jornalistas internacionais, socorristas e observadores internacionais que visitaram Qana nos dias 30 e 31 de julho, que não havia evidência da presença do grupo islamita nesse lugar “As mortes nessa cidade foram o resultado previsível da campanha de bombardeios indiscriminados de Israel contra o Líbano”, disse a diretora da Divisão da Human Rights Watch para o Oriente Médio e a África do Norte, Sarah Leah Whitson, que pediu uma investigação indepentende internacional. Por sua vez, a Anistia divulgou nesta quinta-feira um novo comunicado dizendo que a investigação feita pelas forças de Israel sobre o ocorrido em Qana foi “claramente inadequada”, e destacou a necessidade urgente do envio de uma comissão internacional. “Não podemos permitir que alguma investigação sobre Quana acabe com resultados encobertos. O que se precisa aqui é de uma investigação independente que possa estudar todos os informes críveis sobre as graves violações do direito humanitário internacional cometidas neste conflito”, disse a secretária-geral da Anistia, Kate Gilmore. Israel insiste em dizer que procura evitar vítimas civis, embora a grande maioria dos mais de 500 libaneses mortos não fossem combatentes. O governo israelense responsabiliza o movimento islâmico, acusando-o de se escudar na população civil e lançar mísseis desde zonas urbanas. Mas, a HRW destacou que em suas investigações não encontrou provas de que o Hezbollah estivesse operando em áreas povoadas bombardeadas por Israel. “Os combatentes do Hezbollah não devem se esconder atrás de civis. Isso está fora de dúvida. Mas a idéia divulgada por Israel de que esse é o motivo de tão alto número de mortes civis é totalmente errada”, disse o diretor-executivo da HRW, Kenneth Roth. “Em muitos dos casos de mortes de civis que analisamos, a localização das tropas e armas do Hezbollah não tinham nenhuma relação, porque o Hezbollah não estava perto”, acrescentou. (In Envolverde, www.envolverde.com.br, 4 de Agosto de 2006) |
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