![]() |
|
Internacional
"É preferível que a cimeira de Copenhaga falhe"Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009 - 19h50
Considera ser o desafio moral do século: a luta contra as
alterações climáticas. James Hansen, um dos mais eminentes estudiosos do clima,
o homem que alertou para os perigos das alterações climáticas muitos anos antes
de Al Gore abrir os olhos ao mundo com o seu documentário “Uma Verdade
Inconveniente”, falou ao jornal The Guardian nas vésperas da cimeira de
Copenhaga. E o que tem a dizer não é agradável. Hansen diz que é preferível que
a cimeira redunde em fracasso, dado que o ponto de partida é profundamente
defeituoso. Mais valia começar tudo do zero, argumenta.
“Preferia que não acontecesse [um acordo em
Copenhaga], se as pessoas aceitarem a cimeira como sendo a ‘via certa’, em vez
de a ‘via do desastre’”, indicou Hansen, que dirige o Instituto Goddard para os
Estudos Espaciais, da NASA, em Nova Iorque.
O cientista que convenceu o mundo a prestar
atenção ao perigo crescente do aquecimento global é muito claro quando diz ao
The Guardian que seria melhor para o Planeta e para as futuras gerações que a
cimeira de Copenhaga acabasse num desastre. James Hansen considera que qualquer
acordo que venha a emergir das negociações será tão profundamente defeituoso que
mais valia começar tudo de novo a partir do zero.
“Toda a abordagem é tão profundamente errada
que é melhor reavaliar a situação. Se isto for uma coisa ao estilo Quioto, então
as pessoas irão demorar anos a tentar determinar o que é que aquilo quer dizer
exactamente”, criticou Hansen.
Hansen começou a apresentar-se perante o
Congresso americano em 1989, alertando para as consequências do aquecimento
global, e fez mais do que qualquer outro cientista na educação dos políticos
norte-americanos acerca das mudanças climáticas e das suas consequências.
Apesar de se considerar um orador relutante,
diz que foi forçado a entrar na esfera pública depois de as catástrofes naturais
se terem começado a multiplicar.
Esta entrevista ao The Guardian acontece numa
altura em que se registaram alguns progressos na cimeira de Copenhaga, com a
Índia a anunciar um limite à emissão de CO2 para a atmosfera. Os quatro maiores
produtores de gases com efeito de estufa - EUA, China, UE e Índia - já se
comprometeram com limites para as emissões, mas ainda há muito a fazer e muitos
obstáculos a serem ultrapassados.
Hansen opõe-se veementemente aos esquemas de
compra e venda de emissões de CO2 para a atmosfera entre nações. Compara este
sistema às indulgências vendidas pelo Clero na Idade Média, quando os fiéis
compravam a redenção das suas almas dando dinheiro aos padres. Neste caso, os
países ricos dão dinheiro aos países pobres em troca de emissões de carbono.
Hansen é igualmente muito crítico face às
actuações de Barack Obama e de Al Gore, afirmando que estes líderes mundiais
falharam aquele que é considerado hoje o desafio moral da nossa era. Porque o
problema do corte das emissões de CO2 para a atmosfera não se pode ajustar aos
interesses políticos e económicos internacionais. “Neste tipo de assuntos não
pode haver compromissos”, afirma. “Não temos um líder que seja capaz de entender
o que se passa e que diga o que realmente importa dizer. Em vez disso, estamos
todos a tentar continuar com os negócios de sempre”.
Apesar de tudo, Hansen permanece optimista:
“Podemos já ter-nos comprometido com um aumento do nível do mar em pelo menos um
metro - ou mais - mas isso não quer dizer que desistamos. Porque se desistirmos,
em vez de um, poderemos ter de lidar com dezenas de metros. Por isso acho
contraproducente as pessoas dizerem que atingimos um ponto de não retorno e que
é demasiado tarde. Nesse caso, em que é que estamos a pensar: vamos abandonar o
Planeta? Devemos minimizar os estragos?” Com Publico.pt |
Contracorrente nº 10
Já saíu a Newsletter
Contracorrente nº 10, de 1 de Dezembro, com um artigo de Manuel
Alegre sobre as novas atitudes da esquerda face à actual crise
económica. Nova apresentação multimédia sobre as violentas manifestações
que têm percorrido toda a Grécia. Veja o vídeo... Já está publicado o artigo de
Thalif Deen sobre a crise alimentar mundial.
Leia o artigo completo... Visite o blogue colectivo do
Contracorrente, que conta com a participação
de vários autores e que
apresenta diversas análises sobre este mundo neoliberal no qual vivemos.
|