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Dirigentes da esquerda do PS pretendem mais medidas sociais
Sábado, 27 de Dezembro de 2008 - 20h23


(Paulo Ricca/Público)

A garantia de que, se for governo após as legislativas de 2009, o PS adoptará medidas fiscais que favoreçam as pessoas mais afectadas pela crise é uma das questões que os dirigentes da esquerda do PS, entre os quais Vera Jardim, Paulo Pedro, Ana Gomes e Maria de Belém Roseira, gostariam de ver assumidas pelo secretário-geral e primeiro-ministro, José Sócrates, no próximo congresso do partido, que decorre entre 27 de Fevereiro e 1 de Março, em Espinho.

De acordo com as informações recolhidas pelo jornal Público, este grupo de dirigentes do PS, que foram todos apoiantes de Manuel Alegre em 2004 e que estão unidos pelos laços comuns de pensamento quanto ao papel do PS, que fortaleceram entre si durante a direcção de Ferro Rodrigues, querem que o PS dê um sinal claro de que é um partido de esquerda, que governa à esquerda e que é também um partido moderno.

Aceitando entre si que não avançariam com uma moção de estratégia ao congresso, uma vez que receberam sinais de que tal atitude podia ser vista como um acto hostil a Sócrates, estes dirigentes têm procurado, por um lado, encontrar uma forma de fazer com que o PS no congresso inflicta à esquerda e não se descaracterize e, por outro lado, que seja evitada uma eventual ruptura e cisão interna que representaria o abandono do PS por Manuel Alegre.

Ainda há uma semana, Vera Jardim, em entrevista ao Rádio Clube Português, frisou o risco de cisão, sublinhando a necessidade de calma. É nesse sentido que este grupo de personalidades do PS defende que sejam adoptadas medidas fiscais que favoreçam os mais desfavorecidos, bem como que o Governo e o PS avancem com medidas na área do reconhecimento dos direitos individuais, nomeadamente dos direitos de género.

Neste domínio, não há ainda soluções claras sobre até onde ir no concreto, mas, de acordo com as informações recolhidas pelo Público, a ideia é a de que o PS dê claramente um sinal de que é um partido de esquerda moderna, atento ao reconhecimento de direitos individuais.

Consideram que o partido deve ultrapassar o que consideram uma imagem que resultou da posição contra a legalização dos casamentos homossexuais, quando esta questão foi debatida no Parlamento, a 10 de Outubro, por proposta do Bloco de Esquerda. Uma imagem de conservadorismo que, dizem, prejudica o PS.

A solução a defender por estes dirigentes - e que esperam ver aceite por José Sócrates como sinal de pacificação interna - poderá passar pela inclusão no programa eleitoral do partido da promessa explícita de que, se forem de novo Governo, reconhecerão o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas também há quem considere, dentro deste grupo de dirigentes, que ainda há um caminho a fazer no reconhecimento de direitos aos homossexuais através da lei que já reconhece as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo, pelo que esta deve ser ampliada, nomeadamente com o reconhecimento do direito de herança, e regulamentada.

Com Publico.pt

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