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Trichet anuncia entrada da Zona Euro em recessão no próximo ano
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008 - 23h32


Jean-Claude Trichet
(Denis Balibouse/Reuters)

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, anunciou hoje que a Zona Euro se irá contrair meio por cento no próximo ano, projecção que coincide com os números avançados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a 6 de Novembro.

Esta actualização das projecções económicas contempla o ano em curso, com o Produto Interno Bruto da Zona Euro a crescer apenas um por cento, contra os 1,4 por cento anunciados há três meses pelo BCE.

O enfraquecimento das economias dos Estados-membros nos últimos meses é um traço sublinhado pelo líder da autoridade monetária, que trouxe a inflação para valores próximos dos dois por cento e fez abrandar fortemente o consumo. A diminuição das tensões inflacionistas e os “níveis de incerteza excepcionalmente altos” constituíram os argumentos centrais para o corte de 75 pontos base da taxa de juro de referência do BCE, disse Jean-Claude Trichet, em conferência de imprensa, realizada em Bruxelas.

A decisão de hoje foi tomada “em consenso” e constitui o maior corte de sempre na história de dez anos do BCE, destacou Trichet. “No total, há uma descida de 1,75 pontos percentuais em dois meses [para os actuais 2,5 por cento]. Isto nunca antes tinha acontecido”, sublinhou ainda o francês aos jornalistas.

O BCE fez um primeiro corte de meio ponto percentual a 8 de Outubro, numa acção concertada com os maiores bancos centrais do mundo, e em Novembro procedeu a idêntico corte.

Sobre o futuro, Jean-Claude Trichet remeteu o assunto para o devido momento, mas não deixou de afirmar que “fará tudo o que for necessário para garantir a estabilidade dos preços no médio prazo”.

A 6 de Novembro, o FMI projectou a recessão da Zona Euro no próximo ano, com uma contracção de meio por cento da riqueza. Todas as grandes economias terão uma maior ou menor redução do PIB, a começar pela Alemanha (0,8 por cento), França (meio por cento), Itália (0,6 por cento) e Espanha (0,7 por cento).

Os EUA estão em recessão intensa no próximo ano, a cair 0,7 por cento, o Japão irá afundar 0,2 por cento e Reino Unido irá liderar estes números, com uma contracção de 1,3 por cento, previa o FMI em Novembro.

Com Publico.pt

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