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Cultura
Monges do templo de Shaolin tiram partido da economia de mercado
Domingo, 30 de Novembro de 2008 - 12h43


Monges de Shaolin numa demonstração em Kuala Lumpur
(Bazuki Muhammad/Reu(Bazuki Muhammad/Reuters)

Numa iniciativa arrojada, considerando que tem origem num mítico templo budista, os monges de Shaolin tomaram em mãos a gestão de quatro templos de Kunming, na província de Yunnan, por um período de 20 anos, aproveitando as vantagens da economia de mercado.

O avançado sistema de gestão de Shaolin deve alargar-se a mais templos da China para ajudar a promover o budismo zen”, afirmou Shi Yongxin, o abade chefe do mosteiro. Yongxin, que foi estudante de gestão e é também conhecido como “Shaolin CEO” (abade director executivo, em português).

Fundado em 477, o templo situa-se em Song Shan, umas das cinco montanhas sagradas do Taoísmo, na província de Henan, a cerca de 600 quilómetros de Pequim. Shaolin significa “floresta jovem”, um nome cuja origem está relacionada com um incêndio que destruiu a floresta à volta do templo, a qual foi replantada mais tarde.

O templo de Shaolin, famoso berço do kung fu, faz parte do imaginário de muitos portugueses. A série “Os Jovens Heróis de Shaolin”, na versão original "Ying hung chut siu nin", estreou-se nos anos 80 em Portugal e conta a história de três amigos que se tentam tornar mestres de kung fu, ao mesmo tempo que lutam contra o opressor regime Ching.

Esta não é a primeira vez que o mosteiro de Shaolin é referenciado em assuntos mais mundanos. Em Junho, a direcção do templo anunciou que iria abrir uma loja online no taobao.com (espécie de ebay chinês), onde vende manuais de kung-fu, pauzinhos “amigos do ambiente”, t-shirts, sapatos, chá, livros e DVDs. Em 1994, Shaolin já havia sido o primeiro templo a registar a sua marca comercial e tem institutos na Alemanha, Austrália e Itália.

Mas esta orientação para a economia de mercado tem também os seus detractores. “Os monges de Shaolin já não praticam o verdadeiro kung fu e tudo o que fazem é para ganhar dinheiro", dizem os críticos desta nova estratégia. Um estudante afirma que o templo deve ser “uma instituição cultural e não uma cadeia de lojas franchisadas”.

Com Publico.pt

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