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Internacional
Rússia não tem medo de uma nova Guerra FriaQuarta-feira, 27 de Agosto de 2008 - 06h35
O Presidente russo, duramente criticado pelo Ocidente
depois de ter reconhecido a independência das regiões separatistas da Ossétia
do Sul e Abkházia, avisou ontem que Moscovo “não tem medo de nada”, nem mesmo
de uma nova “Guerra Fria”. Um coro de protestos seguiu-se ao anúncio feito por
Dmitri Medvedev, com vários países a lamentar a iniciativa russa, outros a
denunciar a “violação deliberada do direito internacional”, e outros a alertar
ainda que, com este passo, a Rússia põe em causa a cooperação internacional,
correndo o risco de ficar isolada. “Não temos medo de nada e isso inclui uma [nova] Guerra
Fria. Mas é evidente que não a queremos”, afirmou o chefe de Estado, em
entrevista ao canal de notícias russo em língua inglesa, Rusia Today. Questionado sobre as consequências da crise no Cáucaso
para as relações externas da Rússia, Medvedev disse que “tudo depende da
comunidade e dos parceiros da Rússia no Ocidente”. “Se os ocidentais quiserem
manter as boas relações com a Rússia, vão compreender as razões da nossa
decisão” de reconhecer as duas regiões pró-russas, formalmente parte do
território da Geórgia desde a divisão de fronteiras que se seguiu à dissolução
da URSS. Medvedev sublinhou ainda que a Rússia aplicou na íntegra
o plano de paz patrocinado pela presidência francesa da União Europeia, fazendo
recuar as suas tropas para a Ossétia do Sul, apesar de manter uma zona tampão
em redor da região separatista. Também o chefe da diplomacia de Moscovo reagiu às
críticas ocidentais, garantindo que apesar da pressão internacional, a Rússia
não ficará isolada. “Se todas as partes seguirem os interesses dos respectivos
países não creio que haverá congelamento de relações”, afirmou Sergei Lavrov,
numa referência implícita à dependência energética de vários países europeus em
relação a Moscovo. Mais pessimista, o representante russo na NATO, Dmitri
Rogozin, disse que a atmosfera política que se vive na Europa “recorda os
tempos que antecederam a I Guerra Mundial”, responsabilizando o Presidente
georgiano, Mikhail Saakashvili, pela actual crise. Na altura, “por causa de um único terrorista, as
potências dominantes entraram em guerra”, afirmou o enviado, numa referência ao
nacionalista sérvio que matou o arquiduque austro-húngaro Francisco Fernando,
desencadeando a I Guerra Mundial. “Espero que Saakashvili não entre na história
como o novo Gavrilo Princip”, acrescentou. Com Publico.pt |
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